segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

É possível ser cristão e ser infeliz?

Sem meias-palavras: é.

E não só é como as igrejas estã abarrotadas de cristãos infelizes. “Que é isso, Zágari, tá maluco? Crente vive feliz da vida com Jesus!” Ok, ok, mas agora vamos deixar de lado os slogans de rádios evangélicas, pôr os pés no chão e refletir um pouco sobre a realidade.

Isso é um fato. Seguir o Evangelho não é garantia de felicidade nesta vida. Na vida eterna sim, mas nesta? Pode esperar sentado. Sim, as igrejas estão lotadas de indivíduos infelizes. Pessoas que fizeram más escolhas e agora precisam conviver com elas, gente doente, solitária, deprimida… ouvem as pregações mas parece que aquilo não faz efeito nenhum. Palavras ao vento. E é aí que entramos nós, eu e você – o Corpo, os instrumentos e os canais do amor de Deus.

Infelicidade em geral se cura ou pelo menos amaina com essa arma secreta que Deus deu a cada um de nós: amor. Traduzido em calor humano. Não adianta eu dizer a alguém que sofre de câncer que Jesus o ama e mandá-lo para casa. Eu preciso abraçá-lo. Chorar com ele. Orar com ele. Amar essa pessoa. Sentir sua dor. Não adianta eu dizer para alguém que se casou pelas razões erradas que agora ele tem de engolir o choro todas as noites e “ter fé em Deus”: eu tenho de emprestar-lhe meu ombro, meus ouvidos, meus conselhos.

Erros que cometemos e são irreversíveis aos olhos do Senhor precisam ser tratados com carinho pela Igreja, com amparo, com oração, com… amor. Não com julgamentos. Com amor. Todos erramos. Eu erro, você erra, o pastor erra. A exortação vem antes de o erro ser cometido. Se dá tempo de se consertar, é o que devemos incentivar. Mas, se ele é irreversível, já era, o que precisamos é dar colo, carinho, afeto, amor e muita, mas muita paciência.

Um homem que matou outro, passou anos na prisão e agora foi tocado por Cristo e se arrepende do crime que cometeu não precisa de dedos na cara. Não precisa de desconfiança. Ele não pode devolver a vida que tomou. Mas se está arrependido e se foi convertido, temos de amá-lo e mostrar-lhe que se ele se arrependeu de fato Deus já o perdoou e ele é bem-vindo em nosso meio. Só falta ele se perdoar. O mesmo com o ladrão. O adúltero. O mentiroso. O canalha. Todos infelizes. Todos já cometeram seus erros – mas podem ser restaurados. Ou pelo menos acalmados. E adivinha só? Por seu intermédio.

Por isso que o desigrejar-se é um erro grave, pois o desigrejado não tem o apoio da congregação. Sofre sozinho. Definha. Morre só e infeliz.

Deus não criou a Igreja à toa. Ele sabia que por trás dos muitos sorrisos na hora do culto haveria corações sangrando. Gente precisando de consolo, com o pensamento distante da mensagem pregada. Homens e mulheres que tomaram decisões erradas e agora colhem os frutos da infelicidade. Casamentos em crise. Famílias destruídas. Mães que choram pelos filhos drogados. Pacientes terminais. Doentes de moléstias crônicas. Seres humanos assombrados pelo passado. Outros, pelo presente. Dor. Dor. E mais dor.

Uma sugestão

Quando o culto acabar, meu irmão, minha irmã, não vá embora da igreja como quem sai de um teatro. Em minha opinião, esse é o momento mais importante do culto. Deus manda amá-lo sobre todas as coisas (o que exprimimos durante o culto na adoração, na oração, na Ceia) e ao próximo como a nós mesmos. E é na hora em que o culto acaba que pomos essa parte do mandamento em prática. Olhe em volta. Enxergue as pessoas. Repare que há algumas que permanecem sentadas, sem forças de levantar. Vá até aquela que tem a infelicidade estampada no olhar e converse com ela. Pergunte se está tudo bem. Se pode ajudá-la. Doe seu tempo. Seja o Cristo que ela não vê. Procure em especial aqueles que se sentam nas ultimas fileiras do santuário. Dê-lhes amor. Dê-lhes amor! Espere, talvez você esteja lendo com pressa, então escrevo de novo:

Dê-lhes… amor.

Amor em forma de ouvir com paciência e interesse suas histórias de vida. De saber o nome do filho que morreu no acidente de moto. De ouvir o desabafo da mulher que chega em casa e tem que dormir com o marido que não ama. De chorar com o portador de HIV que está com falta de ar. De abraçar o solitário. Conte histórias de restauração promovidas por Jesus. Fortaleça a fé do desesperançado. Faça algo!

Faça algo!

Pois tenha a certeza: as igrejas estão cheias de pessoas infelizes. E sim, Deus faz milagres. Mas o maior milagre que Deus pode fazer para ajudar uma pessoa infeliz é tocar no teu coração, meu irmão, minha irmã, para que você não se preocupe apenas com a tua vida, mas ajude a diminuir a infelicidade alheia. E aí, quando a Igreja começar a amar a Igreja, estaremos começando a ser Igreja.

Paz a todos vocês que estão em Cristo

Extraído do blog "Apenas1" do @MauricioZagari

sábado, 24 de dezembro de 2011

Deveríamos parar de comemorar o natal?

By André Sanchez

natal, comemoração, festa pagã, nascimento de Jesus CristoComo cristão não posso comemorar o natal, pois é uma festa pagã? Fico muito confuso, pois o natal tem sido muito voltado ao consumismo. O que dizer do papai noel? Não seria melhor os cristãos pararem de comemorar essa data ou mudá-la?

Caro leitor, há muita controvérsia com relação à comemoração do natal. Uns dizem que é uma festa pagã e comemorá-la é estar adorando deuses pagãos. Outros se apoiam no fato de o dia 25 de dezembro não ser o dia real do nascimento de Jesus Cristo. E alguns ainda, por causa do forte apelo comercial da data e a quase adoração ao papai noel, não apoiam a sua comemoração.

Apesar de não termos nenhum texto bíblico apontando para a comemoração específica do nascimento de Cristo, não temos nada na Bíblia que nos proíba de fazê-lo. Pelo contrário, acredito que a comemoração verdadeira no nascimento do Salvador é extremamente positiva para os servos de Deus e para o mundo. Isso porque é uma grande oportunidade de pregação ao mundo sobre o tema central da Bíblia: A vinda ao mundo do Salvador, do Messias, do Filho de Deus que tira o pecado do mundo. Além disso, ao redor dessa data, servos de Deus relembram fortemente a missão do Cristo e têm grandes oportunidades de proclamar ainda mais a Palavra.

É evidente que não concordo com a substituição da comemoração do nascimento de Cristo pelo forte apelo consumista e a exaltação do papai noel, mas, creio eu, que esse fato não é motivo para abandonarmos a comemoração [verdadeira] da data. Lembremos que vivemos em um mundo que “jaz no maligno”, ou seja, qualquer tipo de exposição das coisas de Deus será fortemente resistida pelo mal. Um bom exemplo disso é a páscoa. Na páscoa temos também um forte apelo comercial e a exaltação do coelhinho e do ovo de chocolate. Pararemos de comemorá-la? Calaremos nossa boca porque os ímpios deturpam as coisas?

A ligação do Natal como comemoração do nascimento do Salvador com festas pagãs, pra mim, é um absurdo. Os servos fieis a Cristo não comemoram o nascimento de nenhum Deus pagão e nem associam o Natal a orgias e bebedices. Quem faz isso são os ímpios. Tomar os ímpios como base para proibir o Natal é um absurdo, pois eles deturpam qualquer coisa, mesmo as mais santas.

Quando comemoramos o Natal não imitamos nações pagãs, pois nenhuma nação pagã comemora Jesus Cristo. Nós, Seus servos, é que temos esse privilégio único. Por isso, o Natal é único, exclusivo e especial!

Com relação ao dia 25 de dezembro não ser o dia exato do nascimento de Cristo, não considero fator importante na questão, já que ninguém sabe o dia exato de Seu nascimento. Além disso, todos os dias são de Deus e consagrar a Ele em especial um desses dias para comemorar com mais veemência o nascimento do Salvador sobrepuja qualquer consagração que nações pagãs possam ter feito desse dia. O poder de Deus sobrepuja o poder do diabo. O que Deus santifica não pode ser considerado impuro.

Assim, comemorar o Natal é uma bênção. Buscar trazer para a sociedade a visão clara sobre a missão do Salvador é missão diária de seus servos e, no Natal, se acentua ainda mais, trazendo aos pregadores de Cristo mais uma grande oportunidade de proclamá-Lo e glorificá-Lo por tão grande amor pelos pecadores.

Calar essa comemoração é mais uma artimanha para calar a proclamação mais maravilhosa de todo os tempos: “O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.” (Lc 2. 10)

Extraído do blog Esboçando Idéias

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Natal, uma vez por ano.

 


Depois de montada, árvoe recebeu iluminação especial na Praça Portugal (Foto: Pablyto Leivio / Arquivo Pessoal)

By Ricardo Gondim

Eu era menino e achava que o natal devia acontecer todas as semanas. Depois, na adolescência, pensei que um por domingo era demais. Na vida adulta, acabei me contentando com dois natais: o meu e o de Cristo.

Chego à madureza sem detestar ou supervalorizar o natal.

Acho bom que uma vez por ano pelo menos, alguns saiam da rotina e visitem hospitais, lares de idosos, creches. Sei, sei, isso devia ser feito semanalmente. Concordo, natal serve para aliviar a consciência de quem gastou os outros trezentos e sessenta e poucos dias do ano basicamente com ele mesmo. Mas não sejamos tão cruéis com a humanidade – pequenos gestos valem.

Acho bom que uma vez por ano pelo menos, procuramos nos comportar como o Samaritano da parábola. Mesmo com todo o apelo consumista, intuitivamente, recordamos que Jesus de Nazaré contou aquela estória não só para nos ensinar a ser bons, mas para deixar claro quem viverá com Deus. Certo rapaz perguntou-lhe o que devia fazer para herdar a vida eterna. “Ame a Deus e ao seu próximo”, respondeu o Rabino de Cafarnaum. Como não estava mesmo interessado com a resposta, o mancebo retrucou: “E quem é o meu próximo?” Daí nasceu a parábola: “Um homem viajava por uma estrada deserta e perigosa. Assaltantes o abordaram e tiraram tudo o que possuía; depois de espancar, deixaram o pobre meio morto na beira da calçada. A caminho dos ofícios religiosos, passavam por ali sacerdote e teólogo. A dor do que agonizava não os sensibilizou. Eles não pararam; provavelmente, sem tempo para socorrer o moribundo. Mas um estrangeiro o viu naquele estado miserável e se condoeu. Parou e cuidou dele”. O arremate de Jesus foi contundente: “Aprenda a reconhecer no desconhecido o seu próximo. Se quiser herdar a vida eterna, cuidado, nunca seja indiferente; aja como o samaritano”.

Acho bom que uma vez por ano pelo menos, nos lembramos de reunir família e gente querida ao redor da mesa. Juntos fazemos uma refeição litúrgica e comer se torna um rito sagrado. Avisamos à alma: precisamos parar e esperar uns pelos outros. Dizemos que “com-panhia” (com-pão) tem a ver com a alegria de repartir. De tarde, enquanto se prepara a comida, do forno quente brotam memórias. Empilhados, cada prato tem dono (alguns se foram, meu Deus, quanta saudade!). E o brinde promete continuarmos juntos, venha o que vier. Jantamos. As grades do berço primordial, que um dia nos protegeu, ganham ares de parapeito. As pessoas que amamos são o parapeito, a segurança mínima, que precisamos na vida inclemente, e no precipício do tempo.

Acho bom que uma vez por ano pelo menos, acendemos luzes e, de alguma forma, nos conectamos a Deus, pai das luzes, que não abriga sombra em seu caráter. Se somos ambíguos e sutis em nosso convívio, no natal procuramos ser íntegros. Esforçamo-nos para não deixar o lado cavernoso, dissimulado, escuro, reinar sobre o resto de nossa humanidade. Escrevemos votos de alegria, reanimamos a esperança e apostamos na grandeza do outro.

Acho bom que uma vez por ano pelo menos, celebramos o Deus menino. O reino celestial, nos garantem os Evangelhos, tem características infantis. Cristãos festejam a fragilidade do bebê que dependeu dos braços maternos e das decisões paternas para sobreviver. Esvaziado, humilde e carente, Deus se revelou à humanidade numa estrebaria. Talvez nessa revelação repouse a mais alvissareira mensagem do cristianismo: Deus abraçou a humanidade em sua pequenez. Desde cedo, no desterro do Egito, conviveu com olhares odiosos. Criticado dentro de casa, soube amargar a incompreensão. Caçado e morto por sacerdotes e políticos promíscuos, experimentou o abandono derradeiro. No que sofreu, Jesus se tornou o patrono dos desgraçados, paraninfo dos sem-teto, amigo de proscritos. Ele é o ânimo dos que se desgastam pela justiça; o aceno de esperança para os que nadam contra a correnteza. Nele reside a promessa de que o bem semeado no mar da iniquidade jamais será esquecido.

Acho bom que uma vez por ano pelo menos, cuidamos para que cínicos não tomem conta da vida. Sempre vale a pena celebrar, se acendemos uma centelha, um brilho, nos olhos de algum pobre, doente, idoso, discriminado, exilado, viciado, abandonado. Se não conseguirmos, podemos até fingir que estamos alegres no natal; quem sabe a gente gosta de se sentir alegre e quer repetir o natal em outros dias?

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

foto: árvore de Natal no Ceará [via G1]

Visto no Pavablog

 

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