segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Por que há tantas denominações evangélicas?

By Maurício Zagari

Cansei de ouvir ao longo dos meus anos de convertido que “Deus permite que haja muitas denominações evangélicas porque, em sua multiforme graça, Ele sabe que há pessoas diferentes e cada uma se ajusta melhor numa denominação que tenha mais a sua cara”. Sinceramente, considero essa uma explicação equivocada e sem base bíblica. Não creio nisso. Pois Jesus fundou a Igreja para que ela tivesse a cara de Cristo e não a cara de seus membros. E para que fosse una e não múltipla. A Igreja como ela é hoje é, biblicamente, uma anomalia. Funciona, leva a Palavra aos perdidos, discipula os convertidos, mas não é como Jesus quis que ela fosse.

Jesus plantou os alicerces, os fundamentos de sua Igreja, e nos permitiu construiur ao longo dos séculos sobre eles um enorme edifício. E o que vemos hoje é uma edificação francamente disforme. E a explicação para isso é que não seguimos o manual de construção que Ele deixou para nós: as Escrituras Sagradas.

Algumas semanas atrás postei aqui no APENAS um artigo intitulado A pecaminosa intolerância dos evangélicos, em que procurei mostrar como a intolerância que nós, evangélicos, temos com outros evangélicos nos leva ao pecado da falta de amor. Hoje gostaria de abordar um segundo pecado que essa intolerância gera (e para que você entenda o contexto recomendo enfaticamente a leitura do artigo anterior). Pois se o primeiro pecado que a intolerância entre cristãos gera é a falta de amor, o segundo é o da desunião. Pode parecer algo sem importância, mas não é – e as próprias palavras de Jesus mostram isso.

Jesus afirma que Deus havia permitido pecados como o divórcio “por causa da dureza do coração de vocês” (Mt 19.8). Acredito piamente que Deus se entristece com qualquer tipo de divisão da sua Igreja – inclusive em denominações. Creio que Ele também tolera isso “por causa da dureza do coração de vocês”. Denominações novas surgem a cada esquina todos os dias porque homens querem ter poder e independência de suas antigas igrejas. Líderes de jovens que conquistam o apreço da rapaziada e decidem fundar a SUA igreja, rachando a anterior e levando um monte de membros juntos. Denominações enormes que fundam “partidos” para disputar o poder interno e faturar os milhões que as editoras pertencentes a essas denominações geram. Denominações tradicionais onde liberais brigam contra ortodoxos pelo controle dos seminários teológicos das mesmas. Pentecostais detonando tradicionais e tradicionais ridicularizando pentecostais. A verdade? Isso é satânico.

O que Jesus disse sobre o assunto?

Satânico? Peraí, Zágari, agora você pegou pesado. Então ok, deixa de lado a opinião de Mauricio Zágari e vamos às Escrituras: o pecado da desunião vai contra o que o próprio Senhor Jesus clamou ao Pai em sua oração em Jo 17.22: “Dei-lhes a glória que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um“. Ou seja: o desejo de Deus é que sua Igreja seja unida, una, que viva em união e unidade. E as consequências do não-cumprimento desse desejo é que são assustadoras: Jesus disse em Mt 12.25: “Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá”. Logo, estamos caminhando a passos largos para a ruína, se algo não for feito. “Ah, Zágari, mas a Igreja vai triunfar no final, é promessa da Bíblia”. No final, meu caro, no final… até lá muito estrago pode acontecer, muita alma pode se perder, muito veneno pode envenenar quem comer da panela.

Dividir a Igreja é grave. Muito grave. É ir contra a proposta inicial de Cristo, da Igreja una. E, em primeira instância, é ir contra o próprio Cristo. Mas como o homem é soberbo, arrogante, intolerante, ambicioso, egoísta e pecador… a cada dia criam-se novas denominações, novas facções, novas rachaduras nesse grande edifício que é a Igreja. Em Mateus 16.18, Jesus diz a Pedro que sobre Ele, Cristo, a Pedra, seria edificada Sua Igreja. E o que temos feito com ela? Derrubado tijolo após tijolo. Construído paredes tortas. Pisos irregulares. Pilares envergados. A Igreja virou um monstrengo disforme.

A pergunta que devemos nos fazer então é: de que modo a minha defesa ardorosa do que EU creio ser o certo está ajudando a unir o Corpo de Cristo? Ou, seguindo a mesma linha: de que modo a minha defesa ardorosa do que EU creio ser o certo está ajudando a dividir o Corpo de Cristo? E olha… há uma grande possibilidade de que aquilo em que você crê possa estar errado. A única possibilidade que enxergo como justificativa para se “dividir” a Igreja seria se o conjunto enveredasse por erros, como tentar injetar o marxismo na Bíblia ou misturar fé e política partidária. Nesse caso é melhor dividir (e aqui eu usaria o termo “purificar” ou “manter-se fiel à sã doutrina” em vez de “dividir) para manter a verdade do que unir pelo erro e poluir o Corpo de Cristo com agendas espúrias e apócrifas.

A Igreja Evangélica brasileira carece desesperadamente se unir. Pois está esfarelada, desmantelada, separada, dividida. Os irmãos não se toleram: se atacam (leia como isso tem ocorrido no artigo A pecaminosa intolerância dos evangélicos). Enquanto o que for mais importante para nós é aquilo que “não podemos suportar nos outros” não passaremos de intolerantes e pecadores. Temos que mudar o foco, deslocar o eixo, mudar o paradigma e olhar – isso sim – para aquilo que “podemos suportar” uns nos outros. Se algo é uma heresia… é uma heresia! E deve ser combatida com toda força como doutrina demoníaca e anticristã. Mas se algo é feito dentro dos limites das Sagradas Escrituras, que direito temos de dizer que aquilo não é Igreja? Que direito temos de anatemizar o que é sacro?

A solução

A Igreja precisa pôr de lado a intolerância e as diferenças periféricas e se unir. Isso é evidente e urgente. Gálatas 5.20 afirma que entre as obras da carne estão as dissensões e as facções. Então é natural que se está tão cheia de dissenssões e facções cheguemos à conclusão que a Igreja de Cristo está vivendo de modo extremamente carnal – isso é notório e visível. A questão é: que milagre poderia levar uma Igreja tão heterogênea a alcançar a unidade que Jesus pediu ao Pai que houvesse entre nós? A resposta evidentemente não está nas diferenças, mas naquilo que cada um de nós tem em comum – seja pentecostal, tradicional, desigrejado, institucionalizado, calvinista, arminiano ou o que for.

E em comum o que qualquer setor da Igreja Evangélica (e, por que não dizer, cristã) tem são seus fundamentos. Seus alicerces. A coluna vertebral de nossa fé. É preciso deixar de lado as discussões secundárias, como práticas de culto, modelos institucionais, crenças periféricas, formas de batismo, sistema de administração eclesiástica e outras inutilidades e voltar todas as atenções para uma definição urgentíssima do que significa ser Igreja. Esquecer essa ideia esdrúxula de que a Igreja tem que se misturar com o Estado e partir para os bastidores do poder político e voltar à essência do Reino que, como Jesus mesmo disse, “não é deste mundo”. Arrancar as cracas da Igreja. Seria um bom ponto de partida.

Vejo cada bobagem dita no twitter e no facebook que me arrepia. Frases feitas e irrefletidas que detonam o “tradicionalismo”, a “religião”, a “instituição”… quanta ingenuidade que não serve para nada a não ser desunir, desunir, desunir. Estamos pecando e achamos que prestamos um grande serviço ao Reino de Deus. Não prestamos. Como Paulo, que perseguia cristãos achando que fazia uma grande obra para o Senhor, metemos o malho naqueles que são diferentes de nós… simplesmente porque são diferentes de nós! Não se esqueça que duro é para nós recalcitrar contra os aguilhões, querido irmão, querida irmã. Temos de retornar às bases, aos fundamentos, aos alicerces. Esquecer aos bobagenzinhas pueris que criamos em nome da modernidade para encher igrejas.

Voltemos urgentemente aos fundamentos da fé. Voltemos urgentemente ao significado real do que é discipulado cristão. Como diz Romanos 12.2, é preciso renovar a mente, o entendimento, para que se possa experimentar qual seja a real vontade de Deus – e não a do homem.

E para promover a união de cristãos diferentes, o que temos de fazer é identificar naqueles que apresentam discordâncias de nós aquilo que, dentro dos limites das Escrituras, têm em comum conosco. E nos concentrarmos nessas semelhanças, em vez de nas diferenças. Para que, assim, nos tornemos de fato um, assim como o Filho e o Pai são um.

E isso é possível?

E se você acha impossível a essa altura do campeonato que a Igreja abandone partidarismos denominacionais e volte a se unir… lamento, você está seguindo o cristo errado. Pois o mesmo Espírito Santo que converte um assassino ou um ladrão num homem de Deus é capaz de converter um povo desunido numa nação santa e una. O que é preciso para isso? Primeiro, um milagre – que vem do transcendente. Segundo, o imanente: abrir mão das vaidades denominacionais e reconhecer os erros que há em cada denominação. Só assim, reconhecendo os erros, confessando-os como pecado que são, pedindo perdão a Deus, clamando por sua misericórdia e mudando de atitude, poderemos ser um só.

Mas se você preferir continuar sendo mais assembleiano, batista, presbiteriano, universal, Nova Vida, congregacional, metodista, católico, quadrangular, ortodoxo, quaker, Deus é Amor, Sara Nossa Terra, igreja celular, desigrejado, caminho da graça, Renascer em Cristo, Igreja da Graça, luterano, anglicano, Vida Nova ou o que quer que seja mais do que simplesmente CRISTÃO… continuaremos sempre vivendo no hediondo pecado da desunião.

E aqui cabe lembrar o que Atos 2.44 fala sobre os primeiros cristãos: “Os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum.“. E nós, cristãos do século 21? Estamos unidos? E temos o quê em comum?

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Extraído do blog "Apenas1" do @MauricioZagari

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