segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O Engano da Teologia da Restituição e do direito do crente.


 
 
"Restitui! Eu quero de volta o que é meu!"  
 
Esta frase extraída de uma canção "evangélica" me faz lembrar a petulante atitude do Filho Pródigo quando disse: "Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe". E quão diferente não foi a atitude deste mesmo filho, que, anos mais tarde, arrependido, apresenta-se diante do pai com o coração quebrantado, humilde, e nada reivindica, pois, agora, está consciente de não possuir direito algum diante do pai. Observe que ele nem mesmo se sente digno de ser tratado como filho. Ele confessa o seu pecado e passa a contar apenas com a misericórdia do pai.
 
Nem o Filho Pródigo e nem Jó em seus momentos de angústia cantaram ou clamaram algo parecido com: "restitui, eu quero de volta o que é meu". Quando Jó perdeu tudo, ele exclamou: "O Senhor deu, o Senhor levou, bendito seja o nome do Senhor". Jó, mesmo sendo considerado uma pessoa justa, sabia que tudo na vida era uma dádiva e que nada era dele por direito. Não considerava nada como sendo realmente seu, pois sabia que tudo pertencia ao Senhor.
 
Pensando bem, se o salário do pecado é a morte, então, o que os pecadores teriam de fato por "direito" seria a morte. Por isto, o profeta Jeremias diz que as misericórdias do Senhor são o motivo de não termos sido consumidos (Lm 3:22). E diz mais ainda em 3.39: "Do que se queixa o ser vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados".
Clamar a Deus: "Restitui! Eu quero de volta o que é meu!" soa tão arrogante quanto a oração do fariseu que se sentia cheio de direitos diante de Deus. Jesus diz que tal prece foi ignorada por Deus, enquanto a humilde oração de arrependimento do publicano pecador achou graça aos olhos de Deus (Lc 18.14).
 
Pois sabemos que "Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes" (Tg 4:6). É neste sentido que as crianças nos servem como modelo, não por sua inocência, mas por sua incompetência. As crianças estão de mãos vazias, não têm passado e não possuem uma folha de serviços prestados para apresentar como base de suas pretensões e reivindicações de direitos.
 
Elas são pobres de espírito. Como crianças se tornaram o Profeta Isaías que, consciente de não poder subsistir diante de Deus na base de seus próprios méritos, clamou por misericórdia, dizendo: "Aí de Mim…" (Is 6); João Batista que disse não ser digno de desatar as sandálias de Cristo (Jo 1.27), o centurião, que disse não ser digno de que Cristo entrasse em sua casa (Mt 8.8), o publicano que quando orava, "não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador!" (Lc 18:13); o Filho Pródigo, que disse não ser digno de ser chamado de filho (Lc 15.19), o cego de Jericó, que mendigava e clamava por misericórdia (Lc 18.35s); a mulher sírio fenícia, que não se sentia digna de comer à mesa dos filhos, mas que se satisfaria com as migalhas que caíssem da mesa do Senhor (Mt 7.26s); Pedro, que prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador (Lucas 5:8); Paulo que disse ser o maior dos pecadores e indigno de ser chamado Apóstolo (1Co 15.9); e tantos quantos reconhecerem sua indignidade, sua incompetência, sua inadequação, e, pobres de espírito e desprovidos de qualquer pretensão e noção de direito, se apresentaram de mãos vazias diante de Deus esperando por sua misericórdia e graça.
Jesus disse aos líderes religiosos dos judeus que estavam confiantes em sua noção de direito decorrente do fato de serem descendentes de Abraão: "Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão" (Lc 3:8).
 
Não devemos, portanto, nos apresentar diante de Deus reivindicando o que quer que seja na base de um pretenso direito. Tal idéia é um atentado ao Evangelho da Graça. Graça é dádiva imerecida. Portanto, não temos direito a nada, pois tudo o que recebemos das mãos de Deus é resultado de sua amorosa graça. Aprendamos, portanto, a orar com o Profeta Daniel: "não lançamos as nossas súplicas perante a tua face fiados em nossas justiças, mas em tuas muitas misericórdias" (Dn 9:18).
 
Vemos nesta canção também um outro vento novo de doutrina, que está sendo denominada, teologia da restituição. Baseado em Joel 2.25, está sendo ensinado que tudo o que nos foi roubado pelo diabo, estará sendo restituído por Deus: "Restituir-vos-ei os anos que foram consumidos pelo gafanhoto migrador, pelo destruidor e pelo cortador, o meu grande exército que enviei contra vós outros." Mas o próprio versículo deixa claro que este exército de gafanhotos não foi enviado pelo Diabo, mas, sim, por Deus, com intuito de disciplinar, corrigir e ensinar seu povo. Outro problema também é atribuirmos ao diabo os nossos infortúnios e nos esquivarmos de nossa responsabilidade pessoal.
 
É interessante notar que, diante deste quadro, o profeta Joel não conclama o povo a um clamor de restituição, mas, sim, a um clamor de arrependimento (2.12-15). Corações quebrantados, contritos e humildes nunca são rejeitados por Deus: "Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus" (Sl 51:17; Ver também: Is 57.15 e 2 Cr 7.14).
 
Quando Deus promete restituir, isto se deve a sua misericórdia e graça e não a qualquer espécie de obrigação, pois Deus nada deve ao ser humano, mas somos nós quem lhe devemos tudo. Pois "quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!" (Rm 11.35,36).
 
Estudo enviado pela igreja Metodista.
(recebi por e-mail)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Adoradores da Arca da Aliança.

By Renato Vargens

Há pouco estive numa grande igreja no Rio de Janeiro que criou uma sala de oração cujo utensílio principal era uma réplica da Arca da Aliança. Numa outra comunidade cristã, encontrei junto ao púlpito outra réplica da Arca, onde os crentes em Jesus eram desafiados a depositarem suas ofertas especiais. Noutra ocasião, soube de uma igreja que colocou na sua liturgia, o momento mágico onde os "levitas"entrariam no templo com a Arca de Deus debaixo de muitos gritos e aplausos.

Pois é, virou moda isso. O pior é que essa galera acredita que as réplicas da Arca de Moisés são a "personificação"do próprio Deus.

Caro leitor, sinceramente acho que esse pessoal tá usando algum tipo de alucinógeno. Ora, vamos combinar uma coisa? Aonde na Novo Testamento Cristo ou os apóstolos nos incentivam a construir réplicas da arca? Em que lugar das Escrituras encontramos base teológica para a construção e veneração de símbolos judaicos?

Prezado amigo, como já escrevi anteriormente não existem pressupostos bíblicos para que a igreja de Cristo, queira “recosturar” o véu do templo. Sinceramente essa história de cristianismo judaizante já está passando dos limites. Se não bastasse a rescontrução da Arca da Aliança por algumas igrejas, o uso do shofar e do kipá por outras tantas mais, eis que surge alguns loucos pregando a circuncisão, a restauração das festas judaicas, a guarda impreterível do sábado, além de incentivarem os crentes a buscarem ligações genealógicas com o povo israelita para que possam obter nacionalidade judia, entre outras coisas.

Para pirorar a situação existem igrejas onde as pessoas não podem adentrar ao templo de sandálias ou sapatos e são orientadas a tirar os calçados, pois, segundo ensinam, irão pisar em terra santa. Soma-se a isso, o fato de que os cristãos judaizantes chamam Jesus de Yeshua Hamashia e o Apóstolo Paulo de Rabino Paulo, fazendo dos ensinamentos paulinos manuais judaicos de comportamento.

Essa gente perdeu a noção das coisas. Os caras estão viajando na maionese. Chamar Paulo de Rabino é uma verdadeira sandice! Por favor, pare, pense e responda: Em algum momento nas Escrituras Paulo se intitula Rabino? Em suas Epístolas o encontramos assinando como rabino? Em algum momento o vemos defendendo o seu "rabinato"? Ora, definitivamente essa galera enlouqueceu! Lamentavelmente esse pessoal está fabricando um evengelho altamente judaizante que em muito se contrapõe ao Evangelho de Cristo.

Que Deus tenha misericórdia do seu povo!

“Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão. Eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. De novo, testifico a todo homem que se deixa circuncidar que está obrigado a guardar toda a lei. De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes. Porque nós, pelo Espírito, aguardamos a esperança da justiça que provém da fé. Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor. Vós corríeis bem; quem vos impediu de continuardes a obedecer à verdade? Esta persuasão não vem daquele que vos chama. Um pouco de fermento leveda toda a massa. Confio de vós, no Senhor, que não alimentareis nenhum outro sentimento; mas aquele que vos perturba, seja ele quem for, sofrerá a condenação”. (Gl 5:10)


Extraído do blog do Pr Renato Vargens

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Guerra entre sacerdotes na TV e na Web.

By Maurício Zagari

 

E detesto essas polêmicas que de tempos em tempos surgem entre sacerdotes na televisão e/ou na Internet. Na verdade, sinto nojo. Muito, muito nojo, para ser sincero. O mundo perecendo, almas indo todos os dias para o inferno e, enquanto isso, líderes conhecidos nacionalmente em vez de investir seu tempo em pregar de fato o Evangelho de Jesus Cristo e formar discípulos sólidos ficam se ofendendo em rede nacional como comadres briguentas, numa disputa com motivações duvidosas que dá nó nas minhas tripas. Nem tanto pelo que eles falam, isso realmente é o que menos importa (embora ouvir um pastor chamar pessoas de “trouxas” quando de seus lábios não deveria sair nenhuma palavra torpe… convenhamos!). O que me dá ânsias é ver o exemplo. A atitude. A forma de falar. A agressividade. A petulância. A arrogância. O jeito orgulhosamente ofensivo. Em resumo: o péssimo exemplo.

Sacerdotes que deveriam dar a outra face, andar a segunda milha, amar seus inimigos, orar pelos que lhes fazem mal, ser pacificadores… ficam às turras na TV, como galos de briga tentando mostrar quem tem a crista mais alta do que o outro. Quem cacareja com mais força. Quem estufa mais o peito. Que exemplo lastimável e anticristão, vindo justamente daqueles que deveriam servir de modelo para milhões de pessoas! Que péssimo padrão para nossos jovens! Que papelão, feito diante de multidões de não cristãos e também cristãos, muitos dos quais, desprovidos de discernimento, passam a achar que aquele é o jeito cristão de se comportar. E simplesmente… não é.

Sinceramente? Pouco me importam as causas do bate-boca em rede nacional (em programas pagos pelos fiéis). Por isso, evito falar aqui no APENAS sobre questões como o cair no Espírito ou a porcentagem de cantores gospel endemoninhados, que motivam essas pendengas. Prefiro falar das atitudes demonstradas pelos gladiadores que debatem essas questões. Se não fossem sacerdotes, eu ignoraria. Mas sendo – pelo menos na teoria – representantes do Deus Altíssimo que sobem em altares e servem de modelo para multidões, a questão merece uma apreciação.

Importante: não cito nomes, uma postura que aprendi com um dos meus discipuladores. Mesmo que seja bíblico: lembre-se de que Paulo cita nominalmente em suas epístolas seus ofensores, como Demas e Alexandre, o latoeiro.  Além disso, a Igreja primitiva nunca teve pudores de mencionar os nomes dos inimigos da fé, como o patriarca Orígenes fez no tratado “Contra Celso”. Então, embora eu veja respaldo bíblico e histórico para citar nomes, não vou fazê-lo, meramente por uma questão de elegância. Sigo o conselho de meu discipulador e me restrinjo a falar sobre ideias e ações.

Então vamos evitar mencionar nomes e apenas discutir o problema. Que tem sido uma vergonha para a Igreja evangélica brasileira, em especial porque ocorre no âmbito da grande mídia e expõe a Igreja de Cristo como opróbio aos olhos do mundo. Vamos chamar então os  personagem principais dessa polêmica de Scooby-Doo e Fred Flintstone. Pronto. Assim os mantenho no anonimato e você nao vai saber de quem estou falando. De um lado, Fred esbraveja pela TV e pela internet contra Scooby, usando adjetivos como “trouxa” e palavreados de baixo nível. Fred acusa Scooby de fazer a obra de Satanás porque o canal de TV de Scooby faz reportagens onde advoga que práticas comuns na denominação de Fred são obras malignas.

Aí pronto. O povo de Deus se esbalda com o escândalo. É o assunto da semana nos corredores das igrejas. Dezenas de irmãos me escrevem e-mails e tweets e mandam comentários aqui pelo APENAS pedindo minha opinião. Jesus? Que Jesus que nada, agora o tema das conversas na pizzaria após o culto é o confronto entre Scooby-Doo e Fred Flintstone. Pois bem, já que querem saber minha opinião sobre o assunto eu a darei.

Minha opiniao é: não dou a mínima importância sobre se alguém, seja lá quem for, afirma que 90% dos cantores gospel são endemoninhados (ou era 99%? Nem lembro). Me importa é se na hora em que cantar louvores ao Senhor eu o estarei fazendo em espírito e em verdade. Não dou a mínima se “cair no Espirito” é algo fabricado ou não, pois para mim importa se, deitado ou em pé, meu coração está totalmente rendido ao Rei dos Reis e Senhor dos Senhores. Até porque a minha OPINIÃO sobre isso (que, como a opinião de qualquer pessoa, pode estar certa ou errada) não vai fazer a menor diferença. Nenhuma. Zero. Não vai mudar nada. O que eu acho ou o que Scooby-Doo acha sobre a porcentagem de cantores endemoninhados não muda absolutamente nada sobre a realidade. O que Fred Flintstone acha sobre o cai-cai tem relevância zero. Pois podem ACHAR o que quiserem: no final das contas, quem comanda o grande espetáculo da vida é o Deus Altíssimo. E Ele não acha, Ele sabe.

O xis da questão

Agora… vamos ao que me preocupa de fato, ao que realmente tem alguma relevância aqui: é ver sacerdotes agirem da forma como agem, com deselegância, agressividade, linguajar torpe, prepotência e atitudes similares. Pois os milhões de cristãos que assistem religiosamente a seus programas na TV (embora grande parte deles nem sequer leia um versículo bíblico por semana) passam a achar que aquela deformidade é a forma como um cristão deve se comportar. Quando um verdadeiro discípulo de Jesus não deveria jamais agir daquele modo.

O Cordeiro de Deus é manso e humilde de coração. Foi açoitado, cuspido, ofendido, espancado, despido e pregado numa cruz. Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca. Essa é a descrição que o profeta Isaías fez dAquele que devemos imitar.  E, sinceramente, você enxerga alguma semelhança entre essa descrição e a forma como os sacerdotes envolvidos nessa polêmica agem? Eu não vejo absolutamente nenhuma. E isso me preocupa. Pois legiões e legiões de bons cristãos estão vendo esses comportamentos na televisão e na Internet e acreditando que de fato é assim que um cristão deve se comportar. E não é. Escute: não é.

Uma das razões de eu seguir o líder religioso que eu sigo é por um ensinamento bíblico que ele me passou: não revide. Não revide! Isso mostra um caráter cristão. Se te ofenderem, fique quieto. Se te acusarem, mandarem e-mails mentirosos a seu respeito, inventarem inverdades que denigram sua imagem, postarem falácias na Internet… não revide. Sofra em silêncio. Se precisar, sue gotas de sangue. Pois se revidar você estará tomando a justiça em suas mãos. E se você toma para si o papel de juiz, o Justo Juiz vai considerar que você assumiu a causa e deixará por sua conta. Quando, na verdade, o papel do cristão é entregar seu caminho ao Senhor e confiar nEle, crendo que o mais Ele fará. Se não me engano o nome disso é FÉ.

Então, meus irmãos, a todos vocês que me escreveram e perguntaram minha opinião sobre essas polêmicas e esses escândalos,  eis aqui ela: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor. Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Romanos 12.19-21). Respondido? Agora seja um bom cristão e reflita se Deus espera de você um comportamento igual ao de Jesus perante Pilatos ou igual ao de Scooby-Doo e Fred Flintstone em seus programas de TV e Internet. Você é inteligente. Você sabe a resposta. Então aja não como quem imita homens, mas sim o Bom Pastor Jesus de Nazaré – o Cordeiro de Deus que tira todo o pecado do mundo. Inclusive a agressividade.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

 

OBS: Faço questão de destacar que as opiniões expressas neste post são pessoais e não representam a postura de ninguém associado a mim profissionalmente ou ministerialmente.

 

Extraído do blog "Apenas 1" do @MauricioZagari

 

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